31.5.06

:: luto ::

ainda não tô acreditando que o tony almeida morreu.
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26.5.06

:: ... ::

hoje mesmo, no jantar, eu estava discutindo sobre como eu amo o nada. na verdade eu amo ler sobre o nada e adoraria ter muito talento para escrever muito bem sobre o nada. porque eu adoro ler um texto bom. eu posso discordar do início ao ponto final, das idéias e tudo mais, mas tenho um prazer enorme em ler um texto bem escrito. pois bem, posto isso, entrei na internet para dar uma olhada no nada e sempre acabo parando em sites e blogs de amigos ou não e fico realmente muito feliz de ler coisas legais. ler textos que eu adoraria ter escrito me enche de inspiração. simplesmente amo - em caps lock - ler alguém descrevendo como acordou, escovou os dentes e leu o jornal de manhã. e isso tem muito mais sentimentos e nuances envolvidos do que podemos imaginar. e quando alguém descreve o movimento das pessoas na rua e o passo do gato em cima do computador ou ainda a cor do céu no outono. nossa, amo. e o simples trajeto da cama para a cozinha de uma pessoa gripada num dia de chuva pode render um livro. o mundo fica tão mais legal assim.
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24.5.06

:: sp ::

eu não dormi na ida, comi pizza hut e batata sorriso, fui na etna pela milésima vez em seis meses, me irritei com o trânsito, chorei de tristeza, jantei na cantina que traz boas lembranças, bati papo na cozinha até de madrugada, acordei cedo, joguei chumbinho no mousse de brigadeiro, cortei o dedo no arranjo de mesa, arrumei a mesa de bem-casado, dei risada, briguei no salão, refiz minha maquiagem em casa, passei muito frio, entrei na igreja ao som de u2, chorei de emoção, a alça do meu vestido arrebentou, bebi, dancei, ri, machuquei o pé, fui dormir com o dia claro, vi de novo o meu dvd, fiquei feliz, o gabriel dormiu no meu colo, comi pizza de escarola, bati papo na cozinha de novo, acordei com o dia ainda escuro, trouxe maçã que o meu sogro me deu e dormi um pouquinho na volta.

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lú, já que você lê, deixa de ser boba e comenta! :)
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4.5.06

:: forever is gonna start tonight ::

* 5 meses e 1 dia depois...

a sexta-feira foi de muita chuva. quase frio. eu mesma tive que voltar do salão molhando os dedos do pé no chinelo. mas estava estranhamente calma. e desconfio um pouco de toda essa eficácia da maracugina. as pessoas começaram a chegar e o telefone não parou de tocar. e eu atendi a tudo e a todos. só não acompanhei as quase 30 pessoas que saíram para jantar. deixei um ovinho básico para santa clara na janela e fui tomar um banho de banheira com sais de pitanga e luz apagada, mas nem assim deixei de atender meu tio perdido em ipanema. antes disso fiquei sabendo que sim, aquele povo todo realmente estaria lá. a gente já sabia, mas receber a confirmação deu um primeiro gelo na barriga quando a sexta-feira já quase acabava. fiz uma omelete e bati papo na cozinha com a lú, animada com o vestido novo e a maquiagem e a escova que ganhou de presente da minha mãe. bati um papo rápido com quem voltava do jantar e fui deitar. li um desses meus livros de cabeceira propositalmente soníferos e devo ter dormido uns 15 ou 20 minutos depois. com a tv ligada, sempre.

dormi estranhamente bem e logo cedo o celular começou a receber mensagens. sempre pensei que optaria por não falar com ninguém, mas isso não fez sentido no dia. café da manhã leve, só uma caneca de leite com nescau. eu amo café da manhã, mas era querer demais que minha barriga aceitasse torradas com requeijão. aí chegou um buquê de margaridas de todas as cores da alê e o dia foi ficando mais real. gostei tanto disso que repeti o gesto no casamento da beta. roupa básica e confortável, mais mochilas, bolsas, vestidos, sandálias, cabides, nécessaire, óculos e meus florais, e fomos nós. penúltimo contato com um pai ainda sem noção do que lhe aconteceria algumas horas mais tarde. quarto de hotel com vista para o que mais me acalma, o mar. e nem a athina teve aquela vista, como disse a babi, que passou por lá com a alê. antes disso, tive uma meia hora de paz e silêncio com minha mãe, só com nossos pensamentos que quase produziam som. elas chegaram junto com o buquê, que foi entregue no quarto ao lado por engano e fez uma pessoa muito feliz por 10 minutos. as meninas foram, eli chegou e câmeras e luzes também. começou. gravei o depoimento, muito calma, e pedi nossas comidas. minha mãe começou a maquiagem, o elton passava nossos vestidos e eu fui mergulhar naquela banheira funda e difícil de sair. luz apagada, água quentinha e roupão e pantufa branquinhos, tudo o que eu gosto e poderia querer naquela hora. comi penne com molho de tomate e suco de laranja, e tomei água-de-coco e floral a tarde inteira. almoçamos os quatro enquanto conversávamos sobre o mundo gay e os namorados de ambos. meu pai ligou e disse que a tia elvira tinha vindo, com seus 94 anos, a disposição de encarar uma viagem de carro de são paulo até aqui e a missão de representar a pessoa que mais fez falta nesse dia. a garganta fechou. a minha vez chegou junto com o moreth, que logo começou a tirar aquelas fotos que fizeram eu me apaixonar por ele. ele disse que o trabalho do eli é teatral, eles logo ficaram melhores amigos e o clima de intimidade foi total. bom, eu estava ali de roupão, se bem me lembro sem calcinha, toalha na cabeça e o moreth fotografando meu pé e minhas unhas vermelhas. o clima familiar foi bem providencial. minha mãe ficou pronta e linda e foi-se, ainda a tempo de ver minha maquiagem quase pronta. da janela pude ver minha irmã e os italianos, todos arrumados, e a garganta fechou pela segunda vez. foi quando reparei no céu e descobri que santa clara gosta de mim.

fiquei sozinha com os dois, eli e elton, e percebi que era a mais calma dos três. melhor assim. meu pai chegou, ainda completamente sem noção do estado em que se encontraria pouco tempo depois. contrariando as minhas expectativas ele ficou o tempo todo no quarto e nem pensou em descer pra tomar um coco na praia. mas foi ficando nervoso à medida que via que o elton, prontamente transformado em ajudante de maquiador, derrubando os grampos e falando sem parar. cabelo pronto, hora de vestir a providencial e anti-sexy bermudinha segura barriga-levanta bunda, colocar o vestido e a grinalda e enfim o véu, a cereja do bolo. buquê retirado do frigobar e momento solene da entrega do anel da minha avó, e a primeira lágrima do dia finalmente caiu. antes de sair do quarto e pegar minhas várias quinquilharias e bolsinhas, olhei novamente pra me despedir do sol que se punha lá atrás e fiquei feliz por ele ter aparecido e demorado tanto pra ir embora. o terço especialmente feito pra mim, com nossa senhora das graças, quase foi embora no poço do elevador, já que tive a péssima idéia de deixá-lo a cargo das mãos trêmulas do elton. também havia pensando antes que faria uma passagem triunfal pelo saguão do hotel, com gringos e funcionários me acenando, fazendo sinais de positivo e desejando boa sorte, mas não sei dizer se havia uma ou quinhentas pessoas por ali. beijo rápido nos dois, últimas instruções para o eli e ali estávamos nós, eu e meu pai, vivendo o momento ‘carro’, o mais temido por mim durante todo o tempo. não sei se por sentar o vestido apertou ou se finalmente a ficha começou a cair, mas o fato é que eu não conseguia mais respirar. tampouco sentia minhas mãos, mesmo com o ar ligado no mínimo e a música adequada colocada pelo motorista. simpaticíssimo por sinal, e claramente acostumado a esse tipo de passageira. meu pai falou muito, mas pouco ‘papo de carro’, o que achei bom, mas agora penso que talvez a garganta dele também estivesse querendo fechar. logicamente havia trânsito em botafogo e aí minha bexiga encheu, como sempre acontece quando sei que não posso ir ao banheiro.

chegamos. pequena correria de quem ainda estava do lado de fora e pude ver os padrinhos, lindos e enfileirados, e no fim da fila, gabriel, lindo e com topete, de mãos dadas com a marcela, com o vestido igualzinho ao que desenhamos. aí percebi que não ia conseguir mais evitar o nó na garganta e muito menos as lágrimas. tomei bem mais que as habituais cinco gotas de rescue e abri de leve o vidro fumê do carro. pude ver as cores dos vestidos cuja compra/ confecção acompanhei de perto, e percebi que a hora havia chegado. e também vi meu ainda namorado, aparentemente calmo. tenho a impressão de ter sentido o coração tocando as cordas vocais.
consegui ouvir a música começando e tive a estranha lucidez de abrir a janela para checar se estava certa, se era a mesma que tínhamos escolhido. todo mundo pra dentro e nosso carro finalmente se aproximou da escadaria. não consegui sair do carro, muito menos me mexer. ângelo veio e disse que eu estava linda, e disse com uma cara tão amigável e sincera que eu acreditei, e nunca vou esquecer disso, gesto tão simples para ele e tão importante para mim. mesmo assim, o moreth veio e fez doin na minha testa e aquilo sacramentou a sensação de que estávamos todos realmente muito envolvidos. eu também tinha achado antes que aquela escadaria seria um grande obstáculo nesse momento e que eu subiria de mãos dadas com meu pai, provavelmente para ampará-lo. de novo minha previsão estava errada. subi num disparate alucinado sem olhar pra trás. e ele, calminho, calminho, me encontrou lá em cima, já na porta. me deu o buquê, ajeitei o vestido, ela ajeitou meu véu, arrumei o terço e me preparei para começar a chorar. aí olhei pro lado e a transformação aconteceu. diante daquela porta de vidro jateado, a metáfora perfeita que separava o meu sonho da minha realidade, ele desabou e um sorriso genuíno e paralisado apareceu no meu rosto. ainda olhei pra trás e fiz uma cara de ‘qualquer coisa você segura ele’ para o vinícius que, vim a saber depois, fora especialmente designado para essa função pela minha irmã. última olhada, última respirada funda e lá fomos nós.

(continua)
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1.5.06

:: o dia depois de amanhã ::

uma criança americana consome, em recursos naturais, o equivalente a 40 crianças indianas.

god bless america.
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