2.11.06

:: kombi amarela ::

blog desatualizado, no meu caso, significa 3 coisas: falta de tempo, de assunto ou de saco. a primeira e a segunda são incompatíveis e a terceira pode coexistir com as duas primeiras. no momento a ausência foi de tempo. e um pouco de saco. apesar da vida ótima e do mundo novo e sem fim, o que me deu uma vontade enorme de escrever foi o maravilhoso pequena miss sunshine. saí do fime há uns 40 minutos e continuo com um sorriso de orelha a orelha. talvez um pouco menos, porque exagerei na pipoca e fiquei meio enjoada.

a pretensa miss sunshine é minha conhecida, fez uma participação especial sensacional na minha série favorita e só por isso já seria uma das minhas mini atrizes favoritas. e mini é um termo que cabe muito bem nesse filme. todos ali têm uma vida mini. o filho mais velho não se comunica com o mundo até sofrer a primeira grande desilusão, o pai é um obcecado pela auto-ajuda empresarial, o avô é um alucinado cheirador que foi expulso do asilo, o tio é um intelectual gay suicida e a mãe talvez seja a mais normal. e essa é outra palavra que, de forma sutil e genial, nos leva a uma consideração um pouco mais profunda. ser diferente é não ser normal?

dentro dessa vida escancaradamente insensata dessa família "anormal", o que acaba parecendo fazer todo o sentido é cruzar o país de kombi para que a pequena olive, de 7 anos, participe de um concurso de beleza. há uma overdose de cenas hilárias e ainda assim não há absolutamente nada que faça lembrar um pastelão barato. há a criancinha chorando com medo da rejeição do pai e isso não soou nem de longe um apelo desesperado para comover platéias. o pai tem a obcessão em ser um vencedor, mas sua família é repleta de losers. o filme é um prato cheio de contradições deliciosas e prova que só a inteligência e a sensibilidade são capazes de produzir as melhores metáforas.

fora a adorável olive, os melhores personagens, e onde se encontram as mais profundas contradições, são o filho, com todos os ingredientes que o tornam propositadamente um problemático, lê nietzche o dia inteiro e fez voto de silêncio, e o tio infeliz, que tentou o suicídio e compra revistas pornô gay, são responsáveis pela melhor cena do filme. eles são tratados como anormais, e assim se sentem, mas quando estão em um salão lotado de mini misses e suas famílias neuróticas, tudo o que pensam faz todo o sentido. e são compreendidos enfim, pela família e pela platéia.

a vida de uma cada é mini, mas a história que constróem juntos é grande. mega.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

pela livre associação tão praticada na análise, devo achar que um tem a ver com o outro.

"o respeito ao saber de senso comum jamais deve tornar alguém um basista , tampouco o acatamento à rigorosidade científica deve fazer de alguém um elitista" (paulo freire)

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ha muito tempo que nao ria tanto com um filme. No final nao conseguia parar de chorar de tanto rir. Mesmo se aqui se chama Piccola Miss Sunshine e eh dublado.

7:23 AM  
Blogger Renata said...

tb adorei! totalmente apaixonada pela Olive! Nunca tinha visto essa menina...agora sou mais ela que a Dakota Fanning (eu tb adoro atrizes/atores mirins).
beijosssssssss!
PS - vc está me devendo uma coisa.

5:11 AM  
Anonymous Anônimo said...

Bota a foto do Giba aqui !!!!!

4:08 PM  

Postar um comentário

<< Home

Comments-[ comments.]